terça-feira, 22 de junho de 2010

angel

E é aqui, agora, que decido escrever para ti. Vou sonhando nos meus sonhos. E nesses sonhos sou brilho. Sou força, sou paixão. E o mesmo sucede quando estou contigo. É isto que eu sinto. Que depois de tantos sonhos sonhados, eu sou alguém, e é quando acordo desses sonhos que te vejo. Eu poderia sentar-me ali, no meu pequeno banco de madeira, a escrever mil e uma palavras. Imagina, poderia escrever que esta noite será estrelada e que brilharão os astros. Poderia escrever e continuar a explodir letras repletas de sentimentos, mas tu sabes que não poderia ser. Felizmente há um número ilimitado de palavras existentes que não me deixaria concluir o meu objectivo. Que és tu. E confesso que também não sou muito boa nisto. Gostei de ti, e tu também conseguiste com que o sentimento fosse mútuo. E em noites como a de hoje (talvez um pouco mais frias) eu tive-te nos meus braços. E era tão perfeito. Ouvir estes dias calmos e ainda mais vazios sem ti faz cair as palavras. Faz cair a alma não importando mais nada. Agora a noite está a começar a cair e tu não estás aqui comigo. Nestes dias, olhámos bem à nossa volta e reflectimos em tudo o que a vida nos estava a dar. Foi simpática, hein? E foi dançando a dança que se dança ao som da chuva, que caiu fria e bruscamente sobre o teu rosto, que nos abraçámos envolvendo todo o mundo em nosso redor.

E esta praia há-de ser sempre nossa, Leonardo



sexta-feira, 18 de junho de 2010

wait, again

«Espero por ti porque acho que podes ser o
homem da minha vida. E espero por ti porque
sei esperar, porque nos genes ou na aprendizagem da
sabedoria mais íntima e preciosa, há uma voz firme e
incessante que me pede para esperar por ti.»

Margarida Rebelo Pinto

sábado, 15 de maio de 2010

always

tu és assim uma espécie de miúdo capaz de grandes tropelias que esconde a idade atrás da beleza que nunca perdeste, apesar de todas as marcas que vais herdando dos dias. a infância guardada numa caixa perdida debaixo da cama, a adolescência dos copos e das drogas leves e a vontade de sair de casa e abraçar o mundo.
começas a crescer, e todas as manhãs em frente ao espelho, perguntas à tua imagem quem és tu afinal. vives numa cidade que no fundo não conheces. nem tu nem ninguém. vives dentro de uma casa pequena demais para os teus sonhos que acabam por se dissolver. tal como perdeste uma ou duas mulheres que não soubeste ou não quiseste amar da forma certa. voltas a olhar para a tua imagem e perguntas, vendo um homem mais baixo, menos belo e menos inteligente, se essa mulher já passou pela tua distracção ou se ainda está para vir. imaginas a sua chegada. ao espelho, onde vês o reflexo do miúdo que és e o homem que gostarias de ser, desejas que essa mulher chegue. mas não demasiado cedo para te assustar, nem demasiado tarde porque pode aparecer outra e tu, convencido de que essa é a mulher da tua vida e não eu, deixas-te ir. aquilo que tu não sabes, é que do outro lado do espelho, eu estou a vigiar-te. mas ainda é demasiado cedo. ainda é tempo de guardar no silêncio a vontade de te querer. ainda é cedo. é de manhã. e como eu estou adiantada na tua vida, fico à tua espera bem longe para que não me vejas e fico à espera que um dia saltes para o outro lado da tua vida e sejas quem sempre sonhaste ser.

I love you

sábado, 1 de maio de 2010

porque sim, porque não

"porque sempre que tu chegas paras o tempo, os ponteiros têm medo de continuar a andar, por isso imobilizam-se, suspensos pelo fio da eternidade, à espera que tu saias e os deixes continuar a dar sempre a mesma volta, fechados dentro do relógio e deve ser por isso que se queixam, tic-tac,tic-tac, quem sabe, à espera que um dia alguém lhes abra o vidro e lhes resgate a liberdade, com a mesma doçura com que abres as portas do meu coração, quando entras, no fim dos dias compridos que morrem à tua chegada."

terça-feira, 27 de abril de 2010

iô-iô

"e eu atirei-me sem reservas, acreditando sempre que sim."

domingo, 25 de abril de 2010

constante(mente)

it's amazing how you can speak right to my heart
without saying a word, you can light up the dark
try as I may I can never explain
what I hear when you don't say a thing

the smile on your face
lets me know that you need me
there's a truth in your eyes saying you'll never leave me
the touch of your hand says you'll catch me wherever I fall
you say it best when you say nothing at all

sábado, 17 de abril de 2010

disgusting jackpot

é quando já não esperamos nada das pessoas que elas morrem no nosso coração, lembras-te? mas agora é diferente. agora já não espero nada de ti. sabes porquê? porque não tens nada para dar. nem a mim, nem a ninguém. há muito tempo que o teu coração se fechou para o amor incondicional. talvez os filhos, se os tiveres, te consigam resgatar da ratoeira em que vives. mas não as mulheres. nem eu, nem outras. não alcançamos esse poder, porque tu não possuis o dom da entrega. é um dom, sabias? pode ser uma fraqueza, mas é, acima de tudo, um dom divino. o dom da entrega, o dom da partilha, o dom da vontade, todos ligados como irmãos da generosidade. palavras que possuem para ti algum mistério, talvez porque, infelizmente, não me parece que já as tenhas vivido debaixo da pele. saberás encená-las com graça e mestria, como qualquer sedutor profissional. poderás até sentir que as estás a viver, mas será apenas uma ilusão, porque de novo voltas ao teu casulo, ao teu labirinto perdido, onde reinam a ordem e a frieza controladas de quem governa a realidade sozinho, sem admitir que outro alguém possa fazer parte dela.
provavelmente já nada te conseguirá mudar. viverás sempre assim, escondido de ti próprio, usando o bom coração das mulheres que te forem amando, alugando-lhes amor e tempo em troca de promessas dúbias e declarações ambíguas, aguentando-te o melhor que conseguires num charco de equívocos e meias verdades. nem sequer és imoral, és só amoral. e, ainda pior do que seres amoral, sou obrigada a reconhecer que não tens carácter. não é que tenhas mau carácter, vê se me entendes; simplesmente és desprovido dele.

(margarida rebelo pinto)